Sobre nada e tudo ao mesmo tempo,

Sobre a confusão do ser e do não-ser,

Sobre a harmonia do amor e do ódio.

18 de outubro de 2010

Chorar para o papel.

 Despreocupado com a forma, com a rima, com a história e até com o conteúdo. Quando meus sentimentos superam minha escassa criatividade, eu venho chorar para o papel do mesmo jeito que sempre venho quando o tédio supera qualquer coisa ou só quando se faz o mínimo presente. Mas eu já cansei de me entristecer, de chorar por nada, de falar do vazio e da dor. Será que vai ser assim pra sempre? Até meus relapsos de alegria estão indo embora e é cômico quando os tenho porque parece que nada vai me abalar, que sentir-se bem estando sozinho é fácil. Mas não, não pra mim. Eu sou frágil e bobo. Bobo apaixonado, bobo romântico, bobo carente. Venho esperando alguém para me completar e mudar o curso de minhas palavras, mas não vem ninguém e enquanto eu respirar, não sobrarão oportunidades para eu chorar para o papel. Vou estar sempre aqui, incansavelmente, falando das coisas de sempre. A felicidade é passageira mas seu oposto é infinito. E só pode ser mascarado por amor. E cadê meu amor? Perdeu-se. Ou talvez nunca tenha existido.

13 de outubro de 2010

Silêncio suicida.

                "I don't think you trust in my self righteous suicide, I cry when angels deserve to die" cantarolava ele, enquanto o cigarro queimava lentamente, aquele pequeno pedaço funesto de pecado contido; e sua mente ia longe, além das blasfêmias e imprecações que ele se arrependera de soltar de sua garganta, seu arrependimento pesava ali em seu pulso direito na cicatriz arroxeada que uma certa adaga em forma de cruz deixara.
        Tentava agora imaginar-se como estava: a jaqueta do Ramones que roubara de um punk viado que ameaçara jogar uma garrafa de uísque nele; uma camiseta sem cor e sem graça da coleção dele; uma calça puída e apertada até os testículos estourarem, a gosto dele, com a braguilha ainda aberta; uma pequena pistola prateada em suas mãos carregada com três projéteis, já havia gastado um;  um tênis, desses duramente criticados, e usados por idosos doidos, com estampas de caveira; o cabelo bagunçado e longo, sujo e fedendo, seboso e marrom-cor-de-couro; a maquiagem borrada de cortesãs em seu rosto com a barba por fazer; o olho vermelho e profundo de quem cheirou algum pó clandestino por horas da madrugada;  o cheiro do coito no seu corpo; aquela sensação de ânsia de si mesmo que vinha do peito e era só uma impressão sensorial esquisita de seu cérebro.
        Cérebro. Aquele órgão ininteligível que permitira-o se apaixonar, provar de coisas boas e pacificadoras e depois mandá-las para o inferno, quase indo junto, pois permitira também as coisas satânicas e mundanas adentrarem. Deveria adestrar seu cérebro.
        Adestramento, aliás, lembrava-o da tortura que ele causou àquela terrível moça, Luise, se não lhe falhava a memória. Aquilo causava gargalhadas nojentas em seus amigos insanos e bêbados, inconscientes da dor que aquilo foi para ele; às vezes, eles até deliciavam-se observando o coração dela que ele guardara num freezer de sua mansão de luxúria.
        A mansão de seu dinheiro. O dinheiro de sua perdição. A perdição de sua vida. Era aquilo que resumia o que havia acontecido, o que ele havia permitido acontecer; ou seu cérebro, ele achava mais fácil culpar o próprio cérebro. Foi mimado na infância, revoltado na adolescência e agora, na vida adulta e madura, havia perdido-se quase que para sempre nas delícias oferecidas por um assolador perigoso. Tudo por causa daquele maldito dinheiro; se não fosse pelas bebidas para sempre deliciosas que ele podia ostentar e se satisfazer, ele teria implorado para ter nascido pobre. Pobre de pedir esmola e sofrer a cada dia. Como se sofrer a cada dia fosse inevitável mesmo com a absurda e decrépita fortuna guardada em seu porão na forma de móveis, jóias e toda a sorte de moedas de toda a sorte de países.
        A propósito, ele lembrava-se agora que já havia orado uma vez, na frente de uma imagem ridícula daquela religião famosa da qual fugia-lhe o nome para ser pobre. Orar, religião: essas coisas que mais o atormentaram e formaram nele um constante receio; dúvida ainda presente de seus devaneios. Estudara filosofia justamente para ver se conciliava Deus à sua vida e não conseguira, até hoje. Mas ele não ia desistir, não, nunca; não enquanto lesse em alguma placa de mendigo profeta que Deus ainda acreditava nele.
        Acreditava em qualquer coisa mesmo, pelo menos ele achava, depois que acreditou em Melissa, aquela puta de seios macios e cabelos cor-de-fogo. Ah, mas era impossível não cair naquela tentação e se pudesse voltar no tempo, cairia de novo. A dor de uma ilusão amorosa valia o sexo feito antes das alianças terem sido jogadas no esgoto. Tudo bem, ele tinha dinheiro para comprar alianças e colocá-las até o último lugar possível de Melissa. Mas nesta brincadeira mundana, o seu cérebro permitira-o apaixonar-se. Durante três anos, ele foi tudo para ela e ela foi tudo para ele e, de repente, aquela voz lhe diz no meio de uma de suas noites regadas à cocaína e conhaque que havia feito um ménage com dois empresários suecos bissexuais de visita à Londres. Foi demais para ele. O mais engraçado é que ele já havia tirado a vida de três outras damas, aprimorando suas técnicas de tortura e assassinato a cada uma delas; todas ficavam impunes mesmo. Mas não Melissa. A ela ele permitira a vida, pois com o dinheiro e os amigos que tinha, poderia causar a maior dor da vida dela. Ela até sabia disso, rira do coração congelado de Luise. Como ele podia esperar, afinal, que uma vadia dos bares e do rock como ela adequar-se-ia à monogamia.
        Por fim, saiu xingando Deus e o mundo, durante semanas, meses, anos talvez, até encontrar-se ali, de aparência deplorável, sentado no telhado negro de alguma biblioteca importante do centro de Londres, apenas refletindo e fumando. Um guarda até advertira-o, mas um tiro o calara. Calado assim como ele estava. Num silêncio suicida, ajuntando coragem para subir na Tower Clock e pular para sua liberdade. No fundo, ele sabia que não queria a morte, queria apenas ser salvo. Eis que surge um cheiro.
        "Seu cheiro fétido de rosas rosas", ele recordava-se do poema feito na noite seguinte à deixa de Melissa, na noite que ele mais bebera em toda sua vida. O resultado havia sido uma ressaca de três dias, um triste episódio que ainda lhe causava risos. Mas aquilo era impossível e se mexendo pela primeira vez em horas, ele olha para trás e a primeira coisa que vê é o cabelo, aquele cabelo lindo. E, por mais impossível que pudesse aparecer, Melissa não estava como sempre, estava melhor, com um quê de religiosa, diria ele.
        Ao invés das bermudas jeans com meias-calças rasgadas, ela usava uma calça normal boca-de-sino. Ao invés das camisetas de bandas do clássico hard rock, ela vestia uma blusa comum branca enfiada dentro da calça com uma espécie de manga adjacente. Ao invés dos coturnos, ela calçava uma bota simples e preta que ia até o calcanhar. O detalhe imperceptível que mudava todo o cenário de Melissa que ele tinha em mente era a gargantilha formada por uma corrente de cruzes. E seu cabelo, era ainda o cabelo que ele amara durante três anos.
- Então, você se perdeu, não foi? George - um dos seus comparsas, um gordo sardento que adorava chutar a barriga de velhinhos - me contou.
- Como você ainda se comunica com aquele balofo adoidado? - ele gargalhava falsamente.
- E a sua filosofia? Já encontrou uma resposta? - sua voz era calma.
- Que indagações são essas, Melissa? Acha que eu não me esqueço daquela sua orgia com aqueles suecos de merda? Não te causei nenhuma dor - sua voz falhara aqui - mas se você deseja estar congelada em meu sótão junto com o coração de Luise, você pode me avisar.
- Você quer ser salvo deste mundo, Oliver? - ela falara o nome dele; recitara, para falar a verdade, e aquilo quase o fez sorrir: ouvir o nome dele sendo pronunciado por aqueles lábios delineados pelos deuses gregos. Ele ajoelhara.
- Você encontrou Deus, Melissa?
- Está em mim. Está em você também. Quer achá-lo? - ela foi até ele, cariciou seus cabelos. Ele olhou para ela. Olhou no fundo daqueles olhos castanhos misteriosos como a escuridão.
- Me salve de tudo que há ruim neste mundo.
- Eu vou te salvar. Aquilo - o ménage - que você acabou de citar foi  a gota d' água, fez você dizer coisas das quais se arrependeu não foi? - ele continuava em silêncio.
- Aquilo me fez encontrar quem você procurou por tanto tempo. Posso te mostrar? - ele balbuciou um sim, como uma criança assustada. Então, ela tirou uma adaga daquela calça estranha, a mesma adaga que um padre maluco erguera contra ele, aquela adaga em forma de cruz. Ela enfiou a adaga em seu peito. E sorriu. Aquele sorriso lindo dela. Então Oliver fechou os olhos e calara-se para sempre. Ele amava Melissa e, na realidade, ele havia se matado.

11 de outubro de 2010

That boy who never loved.

And with so many poets, so tired.
And with so many couples, frustrated.
And with so many discussion, in vain.
Love can't be discussed
Especially for a boy,
The boy who never loved.

In cute and fake girls,
In overwhelming and instable passions,
He got lost
In the the dark forest of the evil way of love.

And he try to be indifferent,
He try to don't break himself,
He try to don't care anymore,
But he fail, he's a jerk
'Cause of all this,
He gets lost, he gets dumb.

That boy who never loved,
That heart had never love,
These girls will never love him,
That fucking creepy love.

10 de outubro de 2010

Cálida ocasião no morro frio.

Nervosismo com tua presença,
Um nervosismo contente, um passado sereno
E nossas palavras não-ditas, apenas isso.

Necessito de teu toque,
Tento disfarçar,
Mas você sabe que quero segurar sua mão.

Aquelas nossas conversas, conversas novas
E, meu Deus, constatamos agora nossa mudança
Está tudo tão mais interessante.

Meu toque é mais próximo,
Minha boca é mais doce
E você a mais linda.

Ao som daquela música que fala sobre nós
Naquele momento, nosso
E eu não agüentei, você também não.

Nossos toques agora realizados
E nossos beijos agora tão diferentes
Rematados em completa perfeição.

Nós tornamos real, depois de tanto devaneio,
Seu e meu
Ultrapassar o quimérico, a utopia, juntos.

Eu fui, não pude evitar, você também não.
Porém seu gosto e seu cheiro impregnaram
Me parece que ainda tenho você.

Você se vai para sempre, um dia
Eu te esquecerei, como sempre, um dia
Mas esse momento vai estar conosco, guardado.

8 de outubro de 2010

Sobre três dizeres e um coração.

O copo está cheio, uísque amargo
O cansaço está no limite
De tudo, só faz sentido o marrom do copo.

Que vontade, aquela de sempre:
Sumir, nunca mais viver,
Afinal, só existo.

Uma cicatriz aberta,
Um coração ainda pulsando
Por ninguém vivendo, apenas existindo.

A cortesã de volumosos seios
O meu sujo dinheiro não paga mais,
Nada me satisfaz mais.

Os amigos, foram todos
Abandonando-me, eu fiquei
Na sombra da solidão.

Está frio, daquele ruim
E não há nada, nada no mundo
Que aqueça o meu peito.

Amores passados, frustrados, cansados
Toques e beijos que não tenho mais
De mãos e bocas frias ainda em minha mente.

Procuro, sonho, olho para todos os cantos
Eu quero minha paz,
A paz idealizada, além do uísque.

6 de outubro de 2010

Esse amor vai te livrar de pensamentos passados.

 Eu te procuro e e fico inseguro com tua presença, tento chamar tua atenção, quando estás por perto, mas tu não me ouves, ninguém ouve ou percebe. Mas quando leio sobre ti, em seus textos sobre amores passados, frustrados e quando vejo a respandescência de seu sorriso e de seu olhar, minha paixão só aumenta e eu desejo mais de ti. Nunca dei credibilidade à esses amores distantes, platônicos, apenas atrações, eu desmerecia-os... Mas não esse, não há como negar esse meu desejo de ouvir tua voz, sentir teu toque e ficar com teu cheiro só para mim. Tu não me procuras, eu sei, mas eu gostaria de ter uma oportunidade de te mostrar o que posso ser para ti. Eu gostaria de ter a oportunidade de te dizer que tu és linda.

4 de outubro de 2010

Desfez, não mais se fez.

Eu cansei de chorar, já me sequei.
Eu cansei de lutar, parece inútil.
Eu cansei de correr, atrás de ti; cansei.
Só não cansei de te amar.
E eu te procuro, mas tu não me procuras mais.
Por quê? Nem sei, tu me deixas desentendido.
Eu rio agora, rir é melhor que chorar.
Mas eu me viro e tu estás lá.

2 de outubro de 2010

Deep breath.

There's a door in the end of the bar
Beyond the whores, beyond the whiskey
Beyond all, it's my path.

It's already so dark, it's already so good.
I'm confused but I'm going.
I'm almost stumbling.

It seems there's somethin' burdenin' me
And taking my steps to far away from there.
It would be God? What's happenin'?
Where am I? I have to run away from here.

I've been walked a lot, now I tread in rocks
I've been hurt by the wayside
But it's ok, it's just a bruise to my collection.

I fall again, there is a motorcycle
From where it showed up? But she calls me
"Let's run away", she said.
And I went, and I ran.

27 de setembro de 2010

Andar é melhor que chorar.

 Agora. Deixamos o passado, ali, entre árvores e gritos e pessoas ao chão. Estamos caminhando entre caveiras e bebidas. Estamos rindo e chorando. Estamos apenas indo longe dali. Aquela dor, de poucos instantes atrás, está guardada. Mas ainda dói. E não é só a dor, tem felicidade, tem paz, tem preocupação, tem muita coisa misturada neste caleidoscópio de sentimentos. Eu estou confuso, assim estão todos. E sabemos também que nada será como antes. Se transformará em uma cicatriz, que nunca vai se fechar direito, como se alguém tentasse abri-la mais a cada dia. Braços e beijos, palavras e choros, que aliviam de mentira. E aquele remédio que alivia de verdade? Não existe, não encontramos ainda. Mas vamos, até o fim, sem se separar, sem nada mudar. Vamos continuar essa caminhada dolorosa que não leva a lugar nenhum. Afinal, o mundo nos deixou perdidos. E nesta tentativa vã de se achar, morremos.

20 de setembro de 2010

Ultimamente.

Tenho pensado muito. Tenho pensado demais. Tenho me entristecido. Tenho me irritado. Tenho chorado sem motivo. Tenho deixado os outros irritados comigo. Tenho gargalhado com coisas sem importância. Tenho esperado por um abraço. Tenho feito tanta coisa. Tenho pensado em seguir uma religião. Tenho pensado em virar ateu. Tenho pensado em largar a música para sempre. Tenho pensado apenas em ouvir música. Tenho tentado entender a vida. Tenho deixado tudo acontecer. Tenho me contradito. Tenho desejado por coisas sem nexo. Tenho espalhado sorrisos e lágrimas. Tenho sorrido e chorado. E ter feito tudo isso me leva à alguém, eu sei que leva, à alguém que não existe. Afinal, não importa o que me digam, eu tenho procurado por amor. Ultimamente, e sempre.