Você acorda, se contorce, algo a prende. Pulsos latejando, marcados pelo fogo do atrito com o feno das cordas. A luz não entra no fétido cômodo, o odor de madeira úmida e podre, o som de ratos passeando pelos cantos, ah, tudo está perfeito. Eu entro e o piso range; o cheiro que você tanto gosta vem como tortura ao seu olfato. Feromônios misturados com sangue e suor, a porta se fecha e o barulho ecoa pelo palácio. Um grito rápido sai de sua garganta. Minha faca, afiada pelo seu desgosto e descaso, corta suas cordas. Você respira, sai correndo, não há saída querida. Disparo um chute contra seu estômago, você cospe sangue, chamando atenção dos roedores próximos. Você se rasteja, clamando “por quê?”. Eu rio.
Uma mesa quadrada de alumínio está armada, te levanto pelo cabelo e te ajeito, você me olha com compaixão. Eu retribuo o olhar, mas dissipo meus sentimentos, eu os prendi numa caixa há muito tempo. Que fraqueza! Com a mão esquerda, dou um soco em sua barriga, sua boca abre e viro um soco na sua boca, dois dentes quebram. Uma torção em seu braço e ele se quebra. Ótimo! Meu gosto pelo sangue não me deixava ouvir seus gritos. Te tiro da mesa e te abraço, beijo seu pescoço, seu rosto, seu ombro nu; e a embalo numa canção de ninar ao pé do ouvido.
- Você gosta disso? – você para de gemer de dor e quase sorri. Puxo seu cabelo e mordo sua carótida, como um vampiro, até sentir o sangue escorrendo pelo meu queixo. Sem mais forças para gritar, você começa a chorar. Pensei que ia ser tão bom ouvir o som da vingança, mas não consigo encarar você, quebrada por um antigo amor. Precisava terminar com aquilo!
Levanto-te nas costas, te jogo contra a parede, agora sim o seu berro enche o ambiente. Ando até você, te circundando, e piso na sua mão. Mais um grito! Deito em cima de ti, você está sem saia, um choro desesperado me impede, merda! Minha faca está comigo, te enfio no peito, rasgo, minha mão adentro.
- Devolva meu coração! – está tudo bem agora.
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