Anonimato. Um momento difícil de uma vida difícil. A solidão era o que sempre me cercava, foi sempre assim e em alguns momentos, era o que eu queria. Não me arrependo de ter desejado a coisa errada, aquele tempo não era o tempo, e assim nunca teria sido. Apenas lamentava. Lamentava estar só, quando o que queria era ter a liberdade de estar preso a alguém. Afinal, lamentei por muito tempo. Até o dia que te conheci e pensei que haveria uma esperança, por fim.
Amor de 15 horas. E foi amor, um lindo romance. Eu nunca quis me iludir (não que alguém queira isso) e consegui, melhor do que eu imaginara, prender meus sentimentos e demonstrar todo o carinho que você merecia sem encarar a terrível sensação de frustração no final. Acabou, depois de poucos dias, mas eu já esperava. Seria antinatural se tivesse ocorrido tudo bem entre nós dois... Da primeira vez.
Ilusão. Não sei o que aconteceu e me mantive preso à você, como se saber se você estava bem já faria algum sentido para minha vida. Não foi uma época fácil para você também e seus medos e agonias tornaram-se os meus. O que eu mais queria era te proteger, te falar que você estava segura comigo. Por vezes, conseguia e mostrei para você que eu tinha tudo que você precisava. Só não era o que você queria, o que você procurava. Desta vez, me iludi. Sua dor me cegou, meu amor me cegou. E foi sombras.
Congele o tempo. Me iludi demais. Mais do que eu imaginara, mais do que qualquer ser humano já foi capaz. Um animal, olhando-se no espelho, não teria sido tão... Babaca. Desculpa, mas foi como eu me senti de ter acreditado em você, de ter respirado por você, feito coisas por você, de ter sentido todos os sintomas do amor por você. Mas enquanto me iludia, não via o final. Eu estava com você e parecia tudo bem na minha vida, na sua vida, na nossa futura vida. Fui tolo e acabou mais rápido do que poderia ser, os impedimentos continuariam a vir e eu não havia pensado nisso. Sabendo que não havia mais nada a se fazer, tentei te proteger e te acalmar, com todo o resto de força e calma que eu mantinha na minha mente insana.
Algo indescritível além do ódio. Percebi que o impedimento era outro. Você podia sim me amar, até conseguiu isso por um tempo, sem saber. Você queria esse amor, sim. Você. Você. Você! A causadora de tudo, que sabia de tudo. Me deixou e quando os impedimentos vieram para seu novo vassalo sexual, ainda queria minha proteção. Afinal, eu ultrapassei o limite da ignorância e te ajudei, falei que ia ficar tudo bem enquanto eu me apodrecia de ódio. Não era de ninguém, talvez nem fosse de você. Era apenas ódio. O mais puro e essencial ódio, se é que podemos chamá-lo assim.
Calmaria. Os dias se passaram, me veio uma carta que dizia que eu poderia abandoná-la sem nenhuma satisfação. Assim eu queria fazer, seria melhor para mim, seu descaso não deixaria você sentir falta, ou talvez sentisse. Mas ainda me irritava o fato de eu me manter preso à você. Calma! Não era o que queria no começo de tudo? Me manter preso a alguém. Humpf, pareço confuso, mas não. Não queria me prender assim. Afinal, continuo só com o meu coração atado às suas pequenas garras, meigas e delicadas. Sua voz assombra meu peito e seu cheiro me entorpece, me retorna à insanidade. Minha sorte é que tudo está mais claro agora, me acalmo com mais facilidade, te esqueço assim como o sol se põe. Há uma esperança vindo e vai ficar tudo bem, vamos seguir nossa vida.
Confusão. Tudo se acalmou, desculpa ter te praguejado coisas e desejado seu coração pulsando ainda vivo em minha mão, mesmo que você não soubesse, mas isso ainda é a prova do que seus atos são capazes, sua paixão infame. Engraçado, minha chance de deixar para trás tudo que passou, todo ódio e revolta que você me causou foi, na verdade, mais uma ilusão. Onde eu estava com a cabeça de pensar que sua ausência me faria bem? Sim, melhorou, mas por vezes ainda sinto teu cheiro me lembrando de momentos bons e por vezes palavras trocadas com você me mostram que antinatural seria se tivéssemos dado certo. Ou não... Eu não sei de mais nada, você me faz bem e me faz mal ao mesmo tempo. Você deixa tudo confuso e tudo normal ao mesmo tempo. Você me faz pensar em amor e em ódio ao mesmo tempo. Afinal, existe uma linha tênue entre eles... A resposta que eu procuro mesmo é que eu não superei o sofrimento causado, apenas esqueci o que passamos juntos, esqueci os sentimentos que criei por você. Não te amo mais, só tenho sua presença comigo, então nunca terei certeza se corro o risco de cair nos teus braços de novo. Não quero isso! E se eu vou agora, é pelo meu próprio bem. Vou embora viver por mim e, mesmo querendo não me distanciar nenhum pouco de você, eu faço isso para provar a mim mesmo que sou forte. E, mesmo lembrando dos nossos momentos bons, faço isso para provar para você que meu amor não foi nada e há de ser para alguém. Não a condeno, só não posso fingir que tudo vai ficar bem.
A morte chega a todos! Os dias se passaram mais e mais. Não penso mais em você, agora estou realmente voltando ao que eu era antes de te conhecer, com a mesma tristeza, a mesma solidão e a mesma feição de morte. Morte. Isso pode ser minha salvação, afinal. Não a desejo, entretanto, ela chegará e isso ninguém pode impedir. Ninguém pode me impedir de alcançar a paz e não haverá amor que me fará cair mais. Nem há mais para onde cair mesmo.
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